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São José do Hortêncio é um município onde se apresenta uma paisagem esplendidamente bela, com morros e montanhas, entrecortados por rios e riachos. E para dar um toque especial, moradias com uma arquitetura alemã, que encantam visitantes e turistas. Povoada inicialmente por indígenas açorianos, com destaque para os sobrenomes Leite e Oliveira. Logo depois vieram os imigrantes alemães. A cidade sempre apresentou circunstâncias geográfico-históricas e sociais muito difíceis. Porém, a determinação e a vontade de viver o novo mundo venceram todos os obstáculos dos primeiros imigrantes.

A cultura alemã apresenta-se de maneira claramente perceptível até os dias atuais, como na alimentação, na vida em sociedade, na língua, que é preservada até hoje através do hunsriquiano (um dialeto da região do Hunsrück/Alemanha), no folclore etc. Já haviam aqui instaladas em torno de 15 famílias da região do Hunsrück perto da Igreja Católica, mostrando que a colonização alemã deu-se antes de 1828 em São José do Hortêncio.

Os colonos precisavam aprender a lidar com a terra e não tinham muitas ferramentas e pouco material para construir suas casas. Geralmente estas eram feitas com troncos de árvores ancorados. Para a vestimenta, confeccionavam roupas de algodão, que eles mesmos plantavam.

São José do Hortêncio teve outros nomes como “Picada do Rio Cadeia’ (com a abertura da Colônia em 01.10.1829), devido à localização à margem do Arroio Cadeia, que teria levado esse nome por “prender” as pessoas em dias de cheia do rio, dificultando o acesso por ambos os lados e que teve sua ponte construída somente em 1961. Depois teve o nome “Picada Hortêncio”. Só mais tarde, o lugar recebeu o nome definitivo de São José do Hortêncio, sendo o segundo distrito de São Sebastião do Caí, que se constituirá município em 1875.

O relevo do município apresenta-se em três faixas a partir do rio Cadeia até as cristas dos morros, como uma plana várzea bastante utilizada para cultivos, faixa de terrenos colinosos, que circundam alguns morros, área do Arenito Botucatu e as encostas dos primeiros festões da escarpa da Serra Geral, com morros acima da curva dos 300m ou até 400m. O clima apresenta-se com temperaturas na média de 24°C nos meses mais quentes e 14,5°C nos meses mais frios. Há uma média total anual de 1.537mm de chuva numa frequência de 100 dias. Os ventos predominantes são o Nordeste (NE) e o Sudeste (SE). No inverno há também o vento Sudoeste (SO) chamado Minuano, com ocorrência de geadas.

A agricultura baseia-se ma citricultura, na olericultura, milho, silvicultura (acácia negra, etc.) e aipim. Temos também a bovinocultura, a apicultura, suinocultura, equinocultura, avicultura e a piscicultura. A agricultura é extrativa e rudimentar e aperfeiçoada com o uso da tecnologia como tratores, microtratores, irrigação etc. Fazem parte da nossa história fatos ocorridos como a história da chacina família de Helena Göllner Heck, que viria a construir sua família aqui e a história do menino Luís Antônio (1849), indígena capturado por alemães, chamado de Luiz Bugre, história relatada no livro “As vítimas do Bugre” de Mons. Matias José Gansweit.

Para abastecer as casas comerciais e para pessoas poderem sair da colônia em direção à capital, havia os lanches à beira dos rios. Na localidade do Arroio Bonito, construída em 1911, temos a ponte que possui uma cobertura para protegê-la das chuvas e uma largura que possibilita a passagem de carroças ou outro veículo. A natureza gastou a rocha arenítica, chegando à altura de 17 m.

Uma das primeiras indústrias de São José do Hortêncio surgiu através do trabalho de um sapateiro, Edvino Petry, que desde 1932 fazia sapatos e com a participação de colaboradores tornou-se em 1953 “Curtume e Calçados Arlede’. Em 1954, seu filho Anselmo Petry assumiu a direção e mais tarde foi vendida para a empresa Kreuz, que atua até os dias atuais denominada “Curtume Sulino”.

Em 1948 surgiu a empresa Industrial e Comercial de Óleos Vegetais Schaeffer LTDA, além de fábricas de queijos conhecidas como “Florinha” e o queijo “Rei do Sul” fabricado por Fridolino Spaniol.

Os anos se passavam e continuava o crescimento da localidade, até que começou a brotar e crescer a semente lançada por Oscar Kiefer, que culminou com a reunião no dia 12.07.1986, com o intuito de deflagrar o movimento da criação do futuro município, cuja emancipação concretiza-se pelo plebiscito em 1987 e pela lei n° 8756 de 29.04.1988. O pequeno povoado com 160 anos de colonização evolui para uma cidade que terá muito que fazer.

As religiões Evangélica e Católica participaram da construção da comunidade no início da colonização e têm sua relevância até os dias atuais. As festividades para alegria e lazer das pessoas são outro marco importante da história e da criação da identidade, incluindo a fundação de clubes e associações, e a festa máxima que é a Festa Municipal do Aipim, com sua primeira edição em 12.05.1985, sendo realizada duas vezes como festa da Sociedade São Jacob e concretizando-se como a 1ª Festa Municipal do Aipim em 1989.

A educação era uma preocupação constante dos colonos, apesar das dificuldades naturais da época. Colocavam os filhos em escolas particulares, criadas pelos próprios imigrantes onde se ensinava a língua alemã. O primeiro professor foi Hammes e o segundo Stephan Karling, durante a Revolução Farroupilha. Em 1947 foi fundada a Escola Paroquial São José, pelas irmãs do Imaculado Coração de Maria, seguidas pelas bernardinas a após pelas irmãs da Divina Providência. Atendia aos alunos e professores até o ano de 1994 quando foi doada para a Escola Estadual Alfredo Oscar Kiefer (IEAOK) fundada em 10.04.1992, e atendia a alunos da sede e do interior, encerrando definitivamente as atividades da Escola Paroquial.

Partindo dos primórdios da colonização até a atualidade, São José do Hortêncio mostrou uma evolução sócio cultural e econômica de um povo, que preservou suas raízes e suas tradições.

É necessário o povo conhecer sua história para poder compreender o presente e organizar melhor o futuro.

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